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Christoph Ransmayr no Festival Literário Douro ( mod. Orlando Grossegesse)

Espaço Miguel Torga / S. Martinho de Anta – Sabrosa

FLiD

Sexta, dia 5 de maio

«Je est un autre»: viagens em torno de textos

Citações de autores tão diversos como Rimbaud, Camões e Beckett proporcionam motes para conversas sobre a sempre questionável identidade do texto literário (original / tradução), sobre o trabalho criativo de autor / tradutor e sobre o fascínio e o desespero deste trabalho infinito perante os fantasmas do intraduzível.

15h00  «Se a tanto me ajudar o engenho e a arte»

Fabiano Morais, Miguel Serras Pereira, Tânia Ganho

Fernando Ferreira Alves (mod.)

Tradutores falam sobre as suas experiências com textos literários

um diálogo em torno do papel, função e contornos do ofício / artifício da tradução, falando da experiência, perceções, vivências, desafios, etc.

Miguel Serras Pereira Miguel Serras Pereira (1949). Poeta, tradutor e ensaísta

Tânia Ganho nasceu em Coimbra, em 1973, onde estudou e deu aulas de Tânia Ganhotradução como assistente convidada da Universidade. Depois de ter feito legendagem de filmes durante vários anos e de ter passado pela redação da SIC como tradutora de informação, decidiu dedicar-se exclusivamente à literatura.

É tradutora de autores como H. G. Wells, Anaïs Nin, E. L. Doctorow, Annie Proulx, Norman Rush, Siri Hustvedt, John Banville, Ali Smith, Alan Hollinghurst, Rachel Cusk, David Lodge, Chimamanda Ngozi Adichie, Jeanette Winterson e Rebecca Solnit, entre muitos outros.

Viveu em Londres e em Paris, e reside actualmente em Lisboa. É autora dos romances A Vida Sem Ti (Oficina do Livro, 2005), Cuba Libre (Oficina do Livro, 2007), A Lucidez do Amor (Porto Editora, 2010) e A Mulher-Casa (Porto Editora, 2012). Tem contos publicados nas revistas Egoísta e Portefólio.        (Fotografia © Olivier Huet)

Fabiano da CostaFabiano Morais da Costa nasceu em Três Rios, estado do Rio de Janeiro, Brasil, em 1980. Tem mais de 12 anos de experiência em tradução, tendo traduzido nomes como Stephen King, Ken Follett, Dan Brown e Douglas Adams. Colaborou com algumas das maiores casas editorias do Rio de Janeiro, como as editoras Objetiva, Record e Sextante. Atualmente, persegue também outras vertentes da tradução, como a tradução técnica para TI e Marketing. Tem especial interesse nas tecnologias de tradução e em como as ferramentas CAT podem auxiliar não só tradutores técnicos, como tradutores em geral.

17h00  «The end is in the beginning and yet you go on»

Ransmayr

Christoph Ransmayr / Orlando Grossegesse (mod.)

Apresentação: Thomas Stelzer (Embaixador da Áustria)

Leitura bilingue em alemão / em português de excertos das obras

  • Morbus Kitahara (O síndrome de Kitahara)
  • Atlas eines ängstlichen Mannes

(Atlas de um homem medroso)

Segue-se uma conversa em torno das relações entre mundos reais e ficcionais e das questões do traduzível e intraduzível.

Atlas de um homem

Christoph Ransmayr

nasceu em Wels na Áustria em 1954, estudou filosofia e etnologia, e vive em Viena. Além dos romances Die Schrecken des Eises und der Finsternis (Os horrores do gelo e da escuridão, 1984), Die letzte Welt (O último mundo, 1988), Morbus Kitahara (1995) e Der fliegende Berg (A montanha voadora, 2006) publicou pequenos trabalhos em prosa sobre diferentes variantes de narração – entre outros, Der Weg nach Surabaya (O caminho para Surabaya, 1997), Die Unsichtbare (A invisível, 2001), Geständnisse eines Touristen (Confissões de um turista, 2004), Damen & Herren unter Wasser (Senhoras e senhores submersos, 2007), a peça de teatro Odysseus, Verbrecher (Ulisses, criminoso, 2010) e Atlas eines ängstlichen Mannes (Atlas de um homem medroso, 2012).

Pelos seus livros, que foram traduzidos para mais de trinta línguas, foi distinguido com numerosos prémios literários, entre eles o Prémio Friedrich Hölderlin, o Prémio Franz Kafka, o Prémio Bert Brecht, o Prémio Ernst Toller, o Prémio Mondello e, em conjunto com Salman Rushdie, o Prix Aristeion da União Europeia.

(© S. FISCHER Verlag GmbH)

Traduções publicadas em Portugal e no Brasil:

O último mundo: romance com um repertório ovidiano. Trad.: Paulo Osório de Castro. Lisboa: Difel, 1989; Reinaldo Guarany. Rio de Janeiro: Bertrand, 1993.

Pavores de gelo e trevas. Trad. Marcelo Backes. São Paulo, SP: Estação Liberdade, 2010.

Um escritor? Um poeta? Não, não reclamo tais títulos. Um narrador? Chame-me o que quiser. Em formulários, confesso, escrevo por vezes, simplificando, Autor, mas esse também poderia ser o de um manual de instruções. Nos formulários, os meus campos preferidos são os que podem simplesmente ser preenchidos com a palavra Turista, pois a inocência, o estar sem palavras, a bagagem leve, a curiosidade ou pelo menos a disponibilidade para não só julgar, mas para experienciar o mundo, para caminhar, talvez até: para navegar, escalar, nadar pelo mundo, se for necessário, para sofrê-lo, podem bem ser considerados pré-requisitos da narração. Mas há quanto tempo terá um ter observado o mundo, ter interpretado, compreendido ou mal-entendido as suas chamadas, os seus sinais e os seus gestos, ter-se perdido sem ter muito mais do que os seus olhos e os seus ouvidos, mas porém sem ter voz, sem ter palavras – até que, sim, até conseguir tomar coragem para dizer algo como, algo tão maravilhoso e desmesurado como era um vez, até conseguir afirmar: Era uma vez.

(Christoph Ransmayr: Geständnisse eines Touristen, S. Fischer, Frankfurt am Main 2004.)

Morbus Kitahara = The Dog King (título da tradução para inglês)

Morbus

Uma ficção de história alternativa: A Segunda Guerra Mundial só terminou no Ocidente, pois continua ainda mais 20 anos até ser lançada a bomba atómica sobre Hiroxima. Em vez do plano Marshall de reconstrução, os aliados vitoriosos instalam uma política de reeducação e vingança na Alemanha ocupada. O país está completamente desindustrializado: as fábricas estão a ser demolidas e as estradas destruídas. A população luta pela sobrevivência, alimentando-se do que dá a terra ou roubando aos outros. Por toda a paisagem foram erguidos monumentos de granito, lembrando continuamente os crimes cometidos pela Alemanha, diante dos quais longas filas de cidadãos arrependidos rezam por perdão.

Ransmayr constrói a sua ficção, entre distópica e parabólica, entre Orwell e Kafka, em volta de três protagonistas: Bering, que mora perto da pedreira fornecedora do peculiar granito verde para os monumentos; Ambras, o mestre aleijado da pedreira e dono de uma alcateia de cães selvagens (por isso, chamado ‘o Rei dos Cães’); Lily, conhecida como ‘a brasileira’, e que sempre anseia por chegar um dia à América do Sul. Ransmayr envia este trio numa viagem à selva do Brasil, fugindo dos horrores da Alemanha pós-guerra, na procura de maiores reservas de granito verde. O que lá irá acontecer proporciona um fim espetacular para uma história muito perturbadora.

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